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sábado, 5 de dezembro de 2009

Rico e Plural



Rico e Plural
Andréa Motta

Para Hilda Hist e Octávio Paz

Isso de ti
tem um que de saudade
um contínuo transcender-se

um que de intimidade
um permanente imaginar-se

Isso de ti
meio mata meio mar
os olhos
não conseguem decifrar

Isso de ti
sei lá porque
tem um que de insano
um constante desvendar-se

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Hacai a partir de uma imagem


Imagem retirada da web


As folhas castanhas
enfeitando o gramado
Melancolia no ar.



Andréa Motta
Junho/09

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Homenagem a Lena Jesus Ponte


Foto: Lena Jesus Ponte

Lena Ponte e o Haicai
no crepúsculo do inverno
aquecem Maringá.


Andréa Motta
20.06.09

domingo, 24 de maio de 2009

Forever




Forever
Andréa Motta


Para Leo Lobos.

para sempre a calma das tuas palavras
aquietando espectros
para sempre um sorriso
na pupila dos olhos

para sempre noites enluaradas
renovadas reflexões e poesia
borbulhando tal oxigênio na alma

para sempre réstias de luz
nos meandros simbólicos
do tempo - brisa fugidia
a guiar os sentidos.

para sempre o tempo em sua plenitude
segredos de passarinhos
descortinando efêmeras convicções.
21/10/06

====

Forever
Andréa Motta


Para Leo Lobos.

para siempre la calma de tus palabras
aquietando espectros
para siempre una sonrisa
en la pupila de los ojos

para siempre noches de luna
renovadas reflexiones y poesía
burbujeando oxigeno en el alma

para siempre restos de luz
en los meandros simbólicos
del tiempo - brisa fugitiva
guiando los sentidos.

para siempre el tiempo en su plenitud
secretos de pajaros
descortinando efimeras convicciones.
Tradução: Leo Lobos
21/10/06

terça-feira, 24 de março de 2009

Curitiba - 316 anos

Em 29 de março de 2009
Curitiba completa 316 anos,
abaixo uma breve homenagem
à Cidade.



  • Pinheiro do Paraná
  • Fotografia Andréa Motta.

Cidade repouso
Descanso dos olhos
Belos pinheiros

Kedma O'liver

**

Curitiba.
Andréa Motta



No isolamento do planalto
Pleno de araucárias
nasceu a Curitiba
de múltiplas facetas
e tantos sotaques,

da boca maldita,
(bem dita) tribuna
que sem cerimônia

tudo fala,
ouve, vê
e articula

A Curitiba de todas as gentes
de todas as lutas
e de todas flores.

ainda que a pobreza
ronde seus filhos

que proliferem as favelas
que a violência esteja descontrolada
e o trânsito caótico.

e a sutileza dos contrários
perpasse olhares contemporâneos

em sua mais cara essência
serás para sempre a Curitiba
de todos os sorrisos

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres



Do Estigma à sobrevivência
Andréa Motta


Na penumbra da cidade
brilho de lantejoulas
seios desnudos
lábios pintados de carmim
no corpo lanhado
tatuadas as marcas do desamor

Escoriações
hematomas
carne rasgada
alma amargurada

Nos desvios do tempo
Delitos, impunidade e dor,
violência doméstica
violência urbana

Nas esquinas um olhar
de menina amedrontada
não há lágrimas nem sorrisos.
Só um silencioso pedido de socorro
entre sonhos adormecidos.

No jogo da sobrevivência,
Sombras escamoteiam o medo.
No desenho da calçada
Rostos anônimos
gigolôs, prostitutas
sofismam pelos cruzamentos
escandalizando crentes

Loucas sombras funambulescas
na solitude noturna
conspiram versos desencantados
num pacto com o diabo

Mas o tempo, tal qual um sopro,
leva sem remorsos
o silêncio da noite, as escoriações
os hematomas, as mãos vazias
a dança do neon..

Na cauda do vento, a fantasia
por um instante,
insinua-se nos olhares castigados
suavizando-os.

Não importa
onde pouse o olhar
não importa
a identidade
nem o coração partido
Não importa
a desventura
nem as portas fechadas.

A alvorada traz a denúncia,
Incitando à liberdade!
quando cada um segue o seu destino.

sábado, 12 de julho de 2008

Poêmea*



Poêmea
Luh Oliveira e Andréa Motta


Ei, olha lá
chegam sem fôlego
cavalos alados
cansados da longa jornada

Trazem nos olhos
um largo sorriso
e sonhos inquietos

Ei, olha lá
há poetas à solta
soltos dentro de nós

feito nuvens
coloridas
clareiam a noite

de esperança
06/06/08
* Poêmea= Poesia Fêmea

sábado, 28 de junho de 2008

GOTA [Thackyn e Andréa Motta]


  • Fotografia: Andréa Motta


Um espirro da natureza explode na mesa
Uma solitária gota
Que respinga estrelada
Gota de orvalho dividida em lágrimas...
(Thackyn)

Lágrimas que explodem
A alegria antes contida
Gesto e harmonia
D’a chuva de poesia.
(Andréa Motta).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Incorporeidade


  • Fotografia de Andréa Motta.
    vedada a reprodução


Incorporeidade
Andréa Motta



se não fosse frágil
a face oblíqua
do silêncio
seria breve

tão breve quanto
os tremores da tua voz

se não fosse indelével
o encontro
do sorriso
seria porto

ocasional
entregue à fúria dos teus olhos

se não fosse magnética
a beleza
da palavra
seria carícia

prazerosa
a renascer em cada dia
09/05/08

sábado, 19 de abril de 2008

Soturnidade



Soturnidade
Andréa Motta


Tinta verde
tinge o tempo
de esperança

como se fosse possível
transformar a saudade
em meras palavras
28/01/08

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Corda d'agua



corda-d'água
Andréa Motta


Feito carícia inédita
a chuva rege
o pensamento

Arma, edita
limpa com água
os chaminés do corpo

Afasta a poeira
deleta o que não
pertence ao velho ator

faz guerra
depois cura
com voraz salinidade
a revolta costeira

e acalma no ventre
os sons da memória

sábado, 29 de março de 2008

Curitiba - 29 de março - 315 anos



Coré etuba
Andréa Motta


Uma névoa seca e habitual
acorda sem parcimônia
a Curitiba da fala escandida

Pássaros e um ar glacial
anunciam mais uma titônia
na cidade meio bandida

meio conceitualista
meio metrópole
meio província.

O sangue dos pioneiros
Nas veias da antiga Vila
Semeia imponentes pinheiros.

Curitiba de tantas faces,
de índios, vampiros
e poetas

de tantos sorrisos
sagrados
e profanos

No outono quando a urbes aniversaria
o vento corta as faces
e o silêncio matinal
é quebrado por sirenes e buzinas

tipuanas e paineiras floridas
derramam sobre o complexo
urbanístico modelo
um olhar de vanguarda

revelado pelo cotidiano urbano.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A lingüa do verbo




a lingüa do verbo
Andréa Motta


Dedicado aos Poetas:
Jiddu Saldanha e Carlos Gurgel

Apesar do silêncio
o vento nordeste
passa entre os dedos
feito poesia

despudorada
e
angelical

beija a pele
arde na carne
arrebata os sentidos
13.03.08

sexta-feira, 7 de março de 2008

1 Congresso Mundial de Poetas Del Mundo




De 24 a 31 maio será realizado em Natal o Primeiro Congresso Mundial de Poetas del Mundo. Poetas Del Mundo é um movimento iniciado no Chile, que reúne poetas de mais de 100 países e tem como princípio a defesa da liberdade de expressão e a busca paz por meio não só da poesia.

Com apoio do governo do Estado do Rio Grande do Norte, da Fundação de Cultura do RN e da prefeitura de Natal, Poetas Del Mundo pretende reunir 1500 poetas de todas as nacionalidades e vertentes poéticas.

Saiba mais em:

http://www.poetasdelmundo.com/
http://www.congressopoetasdelmundo.com/menu.htm
http://www.congressopoetasdelmundo.com/congresso.htm
http://www.congressopoetasdelmundo.com/poetasdelmundo.htm

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Elo


Fotografia de Andréa Motta - Vedada a Reprodução


Elo
De: Cláudia Gonçalves & Luh Oliveira
para: Andréa Motta

chove em meus olhos
Sempre que a luz do dia
rasga a escuridão

chove em meus olhos
em cada crepúsculo
quando o arrebol
invade o azul

chove em meus olhos
sempre que a lua nasce
calmamente
entre as estrelas

sonhos dispersos
pintam o brilho da noite

chove em meus olhos
quando o orvalho
nada no seio da terra
e se faz nuvem-carmim
flutuando no peito
sementes de saudade

chove em meus olhos
sempre que em ti penso
esperando a chegada
do próximo sol nascente

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Imponderável




  • Fotografia de Andréa Motta



Imponderável
Andréa Motta


Nas teias etéreas do vento
pequenos nadas absorvidos
pelo silêncio dos gestos

talvez sejam acanhados pássaros
talvez queixumes escondidos
em transparente granizo

ou quem sabe uma melodia
murmurada à memória

ou a eurritmia da natureza
a esvair-se feito suspiro
brando.

  • Proibida a reprodução da imagem,
  • sem expressa autorização da autora.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Feliz 2008



Caros Amigos(as)

Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.

Abraços,
Andréa Motta

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal


Queridos amigos(as) e visitantes,


Desejo que seu Natal seja pleno de Amor, Saúde e Felicidade.
Que as benções de Deus recaíam sobre cada um.
Deixo o belissimo Poema de Natal de Vinícius de Moraes.

É o meu presente a vocês.
Recebam meu mais forte e afetuoso abraço.

Até 2008!
Andréa Motta


Poema de Natal
Vinicius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.




Para assistir ao video, desligue a música no seu navegador!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

No Canto dos Olhos



No canto dos Olhos
Andréa Motta


Latejante
(no canto dos olhos)
o azul profundo
(no malabarismo da rua)
goteja

O poeta
tange
(efervescente)
e recua

Perante
o amarelo
petulante
(da juba
ensandecida
pela lua
nua)
cria

No equilíbrio
volátil
da areia
marca
remarca

Estabiliza
libera
a libélula
e vôa