quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Feliz 2008



Caros Amigos(as)

Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.

Abraços,
Andréa Motta

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal


Queridos amigos(as) e visitantes,


Desejo que seu Natal seja pleno de Amor, Saúde e Felicidade.
Que as benções de Deus recaíam sobre cada um.
Deixo o belissimo Poema de Natal de Vinícius de Moraes.

É o meu presente a vocês.
Recebam meu mais forte e afetuoso abraço.

Até 2008!
Andréa Motta


Poema de Natal
Vinicius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


video

Para assistir ao video, desligue a música no seu navegador!!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Laços


  • Fotografia: Andréa, Cacau e Lu

Laços
Andréa Motta


Para Cláudia (Cacau) Gonçalves e Lu Oliveira

Chove em meus olhos
sempre que o gris da manhã
encobre a cidade

e os pássaros acanhados
se escondem
nos galhos do abacateiro

Chove em meus olhos
quando o azul matinal
floresce múltiplas canções

Insistente a chuva
rega minha face
sempre que a saudade

invade o universo
traz o frescor do alecrim
e muitos potinhos de sol


video

  • Para assistir ao video-poema não esqueça de desligar a música!!
  • Para desligar a música use o botão próprio na barra do seu navegador!!

domingo, 25 de novembro de 2007

25 de Novembro: Dia Internacional contra a Violência Doméstica




Estigma
Andréa Motta

Por sendas oblíqüas,
violência urbana
violência doméstica.

Delitos, impunidade e dor,
na penumbra das cidades.

Pelas esquinas,
rostos anônimos,
corpos lanhados
pelas marcas do desamor.

Não importa a idade,
classe social.

Mulheres,
tomadas pelo medo,
têm a alma amargurada,
a carne rasgada.

Nos olhares castigados,
não há lágrimas nem sorrisos.

Só um silencioso pedido de socorro
entre sonhos adormecidos.

O tempo, é como sopro,
leva sem remorsos,
o silêncio da noite, os hematomas,
as escoriações, as mãos vazias...

- ( não importa a identidade,
o coração partido,
o medo
a desventura) -

E, sem sofismas
na alvorada, traz a denúncia,
porta à liberdade!
30/11/04

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

No Canto dos Olhos



No canto dos Olhos
Andréa Motta


Latejante
(no canto dos olhos)
o azul profundo
(no malabarismo da rua)
goteja

O poeta
tange
(efervescente)
e recua

Perante
o amarelo
petulante
(da juba
ensandecida
pela lua
nua)
cria

No equilíbrio
volátil
da areia
marca
remarca

Estabiliza
libera
a libélula
e vôa

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Bramido




  • imagem recebida por e-mail sem autoria.



Bramido
Andréa Motta


Ao abrigo do sol
a voz febril dos sonhos
oculta

a cada novo fonema,
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa

- grita a essência
da palavra -
26.09.07

sábado, 29 de setembro de 2007

Concepção




Concepção
Andréa Motta

No gorjeio dos pássaros
há uma voz misteriosa
Sementes em flor.

  • Fotografia: Saí Macho

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Sopro Humano



Sopro Humano
Andréa Motta



Não me basta ser um caminho qualquer
Nômade por natureza
anseio cores vivas de caracter singular
onde o desafio é maior


Alucinada busco em mim
formas deslizantes para escoar
a emoção


Sem fronteiras
tal qual as águas doces do rio Paraná
corro por espessos derrames balsáticos
em busca do mar


Quando lá chegar terei cumprido
o arco natural da vida
nascer
crescer
morrer

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Jardim de Poesia



Um presente do Poeta Rogério Santos


Jardim de Poesia
ROGERIO SANTOS

( para Andréa Motta )


quando
um
cataclismo
encontra
um
jardim
de
poesia,
desvia.


Para Conhecer a Poesia de Rogério Santos
visite o Blog Folha de Cima.

domingo, 15 de julho de 2007

Espiral de Fumaça





Espiral de Fumaça
Andréa Motta


Traço,
traçados sem nexo
(reflexos de meus espaços),
na intensidade de fumaça
que esvoeja no tempo
inexato de minha percepção..

Incito,
em brado mudo
(de onde nascem os sonhos,
florescem as fantasias!),
desaquietando espectros
passageiros de momentos
irreversíveis.

Por rebeldia,
em esboços abusados
extrapasso a inércia
dos sentidos.
Esculpindo-me ao lume
de mim mesma.

Finalmente,
repouso na Poesia.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Poesia no Divã



Fotografia: Lu Oliveira, Andréa Motta e Gilberto Maha



Com licença, doutor Freud
Permita-me deitar em seu divã
Preciso indagar contigo
Preciso do seu ombro amigo
Falar sobre esta poesia vã.
Quero que decifre meu inconsciente
Que me deixe falar desesperadamente
Que analise minhas palavras
Versos, rimas, candura e raiva
E tudo que passa em minha mente.
Já conversei com Fernando Pessoa
Alberto Caeiro e Pablo Neruda
Morri de rir com Gregório de Mattos
Chorei com Augusto dos Anjos
Mas em nada essa sensação muda.
Pedi ajuda a Cecília Meireles
A Bandeira, a Drummond de Andrade
Achei versos no meio do caminho
O Claro Enigma tentei decifrar sozinho
Mas em todo lugar a poesia me invade.
Já fiz da palavra disfarce de coisa grave
Conforme dialoguei com Adélia Prado
Assim como eu Álvaro de Campos
Queria ser o que pensa e ser tantos
Que até me senti cavalo-alado
Em tempos modernos já viajei Gaivota
Claudia Gonçalves, Saldanha, França, Maha
Sobrevoei Bacca, Tarelho, Andréa Motta
Nadir Donófrio, Tadeu Paulo, Benvinda Palma
E neste vasto céu a poesia me amarra
Que me diz, doutor Freud?
Se a língua molda o inconsciente
Como afirma Lacan veemente
Que faço eu com minha alma poeta
que vive em mim tão intensamente?

Existe explicação para a Poesia?


Lu Oliveira
22/06/2007

sábado, 23 de junho de 2007

Visita


  • Cabo Espichel - Portugal.
    Fotografia de Andréa Motta
    Direitos Autorais reservados. Proibida a reprodução


Visita
Andréa Motta


Recebo-te de braços abertos
para que me possuas sobre
as rochas plantadas sob meus pés.
Vens assim, agitado espumante


verde-azul-branco-verde- branco
muito branco azul azul azul
pigmentas minh'alma e sentes
meu gosto de destino


Vens agora e
me levas às tuas areias profundas
onde minha pele confunde-se com a tua
sem inúteis explicações


Sem timidez
ou resistência
recebo-te nos meus sonhos
vens viver as minhas fantasias


Vens e me beijas
(os pés!)
as mãos
encharcas meus cabelos
ensopas-me, devoras-me


azul-branco-verde-azul
muito azul verde verde verde
envolves-me em tuas águas
festejando o encontro ritmado


Dos braços - toques
das pernas - abraços
da pele dos poros - arrepios
verde azul branco azul azul azul

Vens,
recebo-te em mim
mar mar atlântico!
meu mar..verde azul azul azul.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

É pra ti que escrevo





É p'ra ti que escrevo
Andréa Motta


Mote: Porque tu deixas em mim tanto de ti
Pedro Abrunhosa


É p'ra ti que escrevo, nesta manhã chuvosa
porque tu deixas em mim tanto de ti
me fazes sentir tua alma no balanço das folhas,
no vôo irrequieto das andorinhas


É p'ra ti que escrevo, no reflexo do espelho
pois é na inversão da imagem que teus dedos sorriem
porque tu deixas em mim tanto de ti
no silêncio das madrugadas.


Porque tu deixas em mim tanto de ti,
é p'ra ti que escrevo, por acreditar que além da mente
o corpo também voa, e cada passo deixa de ser
um sonho cruel no rastro de teus segredos.


Porque tu deixas em mim tanto de ti,
é p'ra ti que escrevo, para te dizer que aprendi
com este misto de saudade e ansiedade impregnada
na ausente presença delineada na janela embaçada.


É p'ra ti que escrevo, na fechadura do instante,
porque tu deixas em mim tanto de ti
na tua voz rebelde de poeta, no desejo apertado
de abraçar o vento e ancorar tua nau inquieta.


Porque tu deixas em mim tanto de ti, é p'ra ti que escrevo
para que saibas que no leito das tuas palavras
eu me deito e encontro sossego, seco meu pranto
e adormeço na saliva que do teu peito brota.


É p'ra ti que escrevo
para desvendar tua teia sagrada
para entender por que tu deixas em mim tanto de ti
porque teces a luz da manhã e preenches meu olhar vazio.

sábado, 9 de junho de 2007

Enigma



Enigma
Andréa Motta


Quem é esta sereia
que me habita a cada insônia
e com seu canto lamurioso
desvenda meu avesso?

quem é?

Esta mulher oculta
por longas madeixas
que me despe a pele
me deflora sem pânico

em querer ora cúmplice
ora cético
incendeia -me
viscera por viscera.

transformando-me num grande dilúvio
de desejos e medos.
Quem é?

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Noite




Noite
Andréa Motta


Anoitece em tons vibrantes
prenuncio de noite fria
e geada densa.

Sombras azul-róseo -amarelo-lilás
deambulam pelos vértices da anima
estancando o tempo - como se isto
fosse possível - fora dos sonhos...

Seus ponteiros em triangulação indócil
agasalham-se na sintonia afinada
de pernas e braços

encaixe perfeito
aquecendo versos não acabados..

domingo, 3 de junho de 2007

Irreverência




Irreverência
Andréa Motta

Na boleia do vento
do sul ele veio prematuro.
Inundou o verão
18.02.07

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Bordando Essências



Dentro de cada um há um jardim
cravos, rosas e camélias,
há sim.

mão e contramão
silêncios e algazarras
há sim

um jardim dentro de cada um
araucárias, ipês eucaliptos
uma selva povoada por querubins

há sim
segredos de passarinhos
cazuza, metralhadoras
delitos contravenções

in(quieta)ções
tantas imperfeições
há sim

indiferença saudade
intuição atrevimento
pelo sim e pelo não

há um jardim em cada um
Andréa Motta