
Equilíbrio
Andréa Motta
há uma ardência
insana e intensa
no percurso do rio
Há o riso e o choro
repovoando alamedas
perdidas no vão
da memória.
29.05.08
Incorporeidade
Andréa Motta
se não fosse frágil
a face oblíqua
do silêncio
seria breve
tão breve quanto
os tremores da tua voz
se não fosse indelével
o encontro
do sorriso
seria porto
ocasional
entregue à fúria dos teus olhos
se não fosse magnética
a beleza
da palavra
seria carícia
prazerosa
a renascer em cada dia
09/05/08

Soturnidade
Andréa Motta
Tinta verde
tinge o tempo
de esperança
como se fosse possível
transformar a saudade
em meras palavras
28/01/08

corda-d'água
Andréa Motta
Feito carícia inédita
a chuva rege
o pensamento
Arma, edita
limpa com água
os chaminés do corpo
Afasta a poeira
deleta o que não
pertence ao velho ator
faz guerra
depois cura
com voraz salinidade
a revolta costeira
e acalma no ventre
os sons da memória
Coré etuba
Andréa Motta
Uma névoa seca e habitual
acorda sem parcimônia
a Curitiba da fala escandida
Pássaros e um ar glacial
anunciam mais uma titônia
na cidade meio bandida
meio conceitualista
meio metrópole
meio província.
O sangue dos pioneiros
Nas veias da antiga Vila
Semeia imponentes pinheiros.
Curitiba de tantas faces,
de índios, vampiros
e poetas
de tantos sorrisos
sagrados
e profanos
No outono quando a urbes aniversaria
o vento corta as faces
e o silêncio matinal
é quebrado por sirenes e buzinas
tipuanas e paineiras floridas
derramam sobre o complexo
urbanístico modelo
um olhar de vanguarda
revelado pelo cotidiano urbano.

a lingüa do verbo
Andréa Motta
Dedicado aos Poetas:
Jiddu Saldanha e Carlos Gurgel
Apesar do silêncio
o vento nordeste
passa entre os dedos
feito poesia
despudorada
e
angelical
beija a pele
arde na carne
arrebata os sentidos
13.03.08


Fotografia de Andréa Motta - Vedada a Reprodução
Imponderável
Andréa Motta
Nas teias etéreas do vento
pequenos nadas absorvidos
pelo silêncio dos gestos
talvez sejam acanhados pássaros
talvez queixumes escondidos
em transparente granizo
ou quem sabe uma melodia
murmurada à memória
ou a eurritmia da natureza
a esvair-se feito suspiro
brando.

Caros Amigos(as)
Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.
Abraços,
Andréa Motta