quinta-feira, 8 de maio de 2008

Incorporeidade


  • Fotografia de Andréa Motta.
    vedada a reprodução


Incorporeidade
Andréa Motta



se não fosse frágil
a face oblíqua
do silêncio
seria breve

tão breve quanto
os tremores da tua voz

se não fosse indelével
o encontro
do sorriso
seria porto

ocasional
entregue à fúria dos teus olhos

se não fosse magnética
a beleza
da palavra
seria carícia

prazerosa
a renascer em cada dia
09/05/08

sábado, 19 de abril de 2008

Soturnidade



Soturnidade
Andréa Motta


Tinta verde
tinge o tempo
de esperança

como se fosse possível
transformar a saudade
em meras palavras
28/01/08

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Corda d'agua



corda-d'água
Andréa Motta


Feito carícia inédita
a chuva rege
o pensamento

Arma, edita
limpa com água
os chaminés do corpo

Afasta a poeira
deleta o que não
pertence ao velho ator

faz guerra
depois cura
com voraz salinidade
a revolta costeira

e acalma no ventre
os sons da memória

sábado, 29 de março de 2008

Curitiba - 29 de março - 315 anos



Coré etuba
Andréa Motta


Uma névoa seca e habitual
acorda sem parcimônia
a Curitiba da fala escandida

Pássaros e um ar glacial
anunciam mais uma titônia
na cidade meio bandida

meio conceitualista
meio metrópole
meio província.

O sangue dos pioneiros
Nas veias da antiga Vila
Semeia imponentes pinheiros.

Curitiba de tantas faces,
de índios, vampiros
e poetas

de tantos sorrisos
sagrados
e profanos

No outono quando a urbes aniversaria
o vento corta as faces
e o silêncio matinal
é quebrado por sirenes e buzinas

tipuanas e paineiras floridas
derramam sobre o complexo
urbanístico modelo
um olhar de vanguarda

revelado pelo cotidiano urbano.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A lingüa do verbo




a lingüa do verbo
Andréa Motta


Dedicado aos Poetas:
Jiddu Saldanha e Carlos Gurgel

Apesar do silêncio
o vento nordeste
passa entre os dedos
feito poesia

despudorada
e
angelical

beija a pele
arde na carne
arrebata os sentidos
13.03.08

sexta-feira, 7 de março de 2008

1 Congresso Mundial de Poetas Del Mundo




De 24 a 31 maio será realizado em Natal o Primeiro Congresso Mundial de Poetas del Mundo. Poetas Del Mundo é um movimento iniciado no Chile, que reúne poetas de mais de 100 países e tem como princípio a defesa da liberdade de expressão e a busca paz por meio não só da poesia.

Com apoio do governo do Estado do Rio Grande do Norte, da Fundação de Cultura do RN e da prefeitura de Natal, Poetas Del Mundo pretende reunir 1500 poetas de todas as nacionalidades e vertentes poéticas.

Saiba mais em:

http://www.poetasdelmundo.com/
http://www.congressopoetasdelmundo.com/menu.htm
http://www.congressopoetasdelmundo.com/congresso.htm
http://www.congressopoetasdelmundo.com/poetasdelmundo.htm

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Elo


Fotografia de Andréa Motta - Vedada a Reprodução


Elo
De: Cláudia Gonçalves & Luh Oliveira
para: Andréa Motta

chove em meus olhos
Sempre que a luz do dia
rasga a escuridão

chove em meus olhos
em cada crepúsculo
quando o arrebol
invade o azul

chove em meus olhos
sempre que a lua nasce
calmamente
entre as estrelas

sonhos dispersos
pintam o brilho da noite

chove em meus olhos
quando o orvalho
nada no seio da terra
e se faz nuvem-carmim
flutuando no peito
sementes de saudade

chove em meus olhos
sempre que em ti penso
esperando a chegada
do próximo sol nascente

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Imponderável




  • Fotografia de Andréa Motta



Imponderável
Andréa Motta


Nas teias etéreas do vento
pequenos nadas absorvidos
pelo silêncio dos gestos

talvez sejam acanhados pássaros
talvez queixumes escondidos
em transparente granizo

ou quem sabe uma melodia
murmurada à memória

ou a eurritmia da natureza
a esvair-se feito suspiro
brando.

  • Proibida a reprodução da imagem,
  • sem expressa autorização da autora.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Feliz 2008



Caros Amigos(as)

Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.

Abraços,
Andréa Motta

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal


Queridos amigos(as) e visitantes,


Desejo que seu Natal seja pleno de Amor, Saúde e Felicidade.
Que as benções de Deus recaíam sobre cada um.
Deixo o belissimo Poema de Natal de Vinícius de Moraes.

É o meu presente a vocês.
Recebam meu mais forte e afetuoso abraço.

Até 2008!
Andréa Motta


Poema de Natal
Vinicius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.




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