
Caros Amigos(as)
Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.
Abraços,
Andréa Motta

Caros Amigos(as)
Votos de amor, Saúde, Paz
e Prosperidade em 2008.
Estou em férias, retorno em fevereiro.
Abraços,
Andréa Motta

Poema de Natal
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Laços
Andréa Motta
Para Cláudia (Cacau) Gonçalves e Lu Oliveira
Chove em meus olhos
sempre que o gris da manhã
encobre a cidade
e os pássaros acanhados
se escondem
nos galhos do abacateiro
Chove em meus olhos
quando o azul matinal
floresce múltiplas canções
Insistente a chuva
rega minha face
sempre que a saudade
invade o universo
traz o frescor do alecrim
e muitos potinhos de sol

Estigma
Andréa Motta
Por sendas oblíqüas,
violência urbana
violência doméstica.
Delitos, impunidade e dor,
na penumbra das cidades.
Pelas esquinas,
rostos anônimos,
corpos lanhados
pelas marcas do desamor.
Não importa a idade,
classe social.
Mulheres,
tomadas pelo medo,
têm a alma amargurada,
a carne rasgada.
Nos olhares castigados,
não há lágrimas nem sorrisos.
Só um silencioso pedido de socorro
entre sonhos adormecidos.
O tempo, é como sopro,
leva sem remorsos,
o silêncio da noite, os hematomas,
as escoriações, as mãos vazias...
- ( não importa a identidade,
o coração partido,
o medo
a desventura) -
E, sem sofismas
na alvorada, traz a denúncia,
porta à liberdade!
30/11/04
No canto dos Olhos
Andréa Motta
Latejante
(no canto dos olhos)
o azul profundo
(no malabarismo da rua)
goteja
O poeta
tange
(efervescente)
e recua
Perante
o amarelo
petulante
(da juba
ensandecida
pela lua
nua)
cria
No equilíbrio
volátil
da areia
marca
remarca
Estabiliza
libera
a libélula
e vôa

Bramido
Andréa Motta
Ao abrigo do sol
a voz febril dos sonhos
oculta
a cada novo fonema,
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa
- grita a essência
da palavra -
26.09.07

Concepção
Andréa Motta
No gorjeio dos pássaros
há uma voz misteriosa
Sementes em flor.

Sopro Humano
Andréa Motta
Não me basta ser um caminho qualquer
Nômade por natureza
anseio cores vivas de caracter singular
onde o desafio é maior
Alucinada busco em mim
formas deslizantes para escoar
a emoção
Sem fronteiras
tal qual as águas doces do rio Paraná
corro por espessos derrames balsáticos
em busca do mar
Quando lá chegar terei cumprido
o arco natural da vida
nascer
crescer
morrer

Jardim de Poesia
ROGERIO SANTOS
( para Andréa Motta )
quando
um
cataclismo
encontra
um
jardim
de
poesia,
desvia.
Para Conhecer a Poesia de Rogério Santos
visite o Blog Folha de Cima.