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Bramido
Andréa Motta
Ao abrigo do sol
a voz febril dos sonhos
oculta
a cada novo fonema,
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa
- grita a essência
da palavra -
26.09.07

Bramido
Andréa Motta
Ao abrigo do sol
a voz febril dos sonhos
oculta
a cada novo fonema,
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa
- grita a essência
da palavra -
26.09.07

Concepção
Andréa Motta
No gorjeio dos pássaros
há uma voz misteriosa
Sementes em flor.

Sopro Humano
Andréa Motta
Não me basta ser um caminho qualquer
Nômade por natureza
anseio cores vivas de caracter singular
onde o desafio é maior
Alucinada busco em mim
formas deslizantes para escoar
a emoção
Sem fronteiras
tal qual as águas doces do rio Paraná
corro por espessos derrames balsáticos
em busca do mar
Quando lá chegar terei cumprido
o arco natural da vida
nascer
crescer
morrer

Jardim de Poesia
ROGERIO SANTOS
( para Andréa Motta )
quando
um
cataclismo
encontra
um
jardim
de
poesia,
desvia.
Para Conhecer a Poesia de Rogério Santos
visite o Blog Folha de Cima.

Espiral de Fumaça
Andréa Motta
Traço,
traçados sem nexo
(reflexos de meus espaços),
na intensidade de fumaça
que esvoeja no tempo
inexato de minha percepção..
Incito,
em brado mudo
(de onde nascem os sonhos,
florescem as fantasias!),
desaquietando espectros
passageiros de momentos
irreversíveis.
Por rebeldia,
em esboços abusados
extrapasso a inércia
dos sentidos.
Esculpindo-me ao lume
de mim mesma.
Finalmente,
repouso na Poesia.
Fotografia: Lu Oliveira, Andréa Motta e Gilberto Maha
Com licença, doutor Freud
Permita-me deitar em seu divã
Preciso indagar contigo
Preciso do seu ombro amigo
Falar sobre esta poesia vã.
Quero que decifre meu inconsciente
Que me deixe falar desesperadamente
Que analise minhas palavras
Versos, rimas, candura e raiva
E tudo que passa em minha mente.
Já conversei com Fernando Pessoa
Alberto Caeiro e Pablo Neruda
Morri de rir com Gregório de Mattos
Chorei com Augusto dos Anjos
Mas em nada essa sensação muda.
Pedi ajuda a Cecília Meireles
A Bandeira, a Drummond de Andrade
Achei versos no meio do caminho
O Claro Enigma tentei decifrar sozinho
Mas em todo lugar a poesia me invade.
Já fiz da palavra disfarce de coisa grave
Conforme dialoguei com Adélia Prado
Assim como eu Álvaro de Campos
Queria ser o que pensa e ser tantos
Que até me senti cavalo-alado
Em tempos modernos já viajei Gaivota
Claudia Gonçalves, Saldanha, França, Maha
Sobrevoei Bacca, Tarelho, Andréa Motta
Nadir Donófrio, Tadeu Paulo, Benvinda Palma
E neste vasto céu a poesia me amarra
Que me diz, doutor Freud?
Se a língua molda o inconsciente
Como afirma Lacan veemente
Que faço eu com minha alma poeta
que vive em mim tão intensamente?
Existe explicação para a Poesia?
Lu Oliveira
22/06/2007
Visita
Andréa Motta
Recebo-te de braços abertos
para que me possuas sobre
as rochas plantadas sob meus pés.
Vens assim, agitado espumante
verde-azul-branco-verde- branco
muito branco azul azul azul
pigmentas minh'alma e sentes
meu gosto de destino
Vens agora e
me levas às tuas areias profundas
onde minha pele confunde-se com a tua
sem inúteis explicações
Sem timidez
ou resistência
recebo-te nos meus sonhos
vens viver as minhas fantasias
Vens e me beijas
(os pés!)
as mãos
encharcas meus cabelos
ensopas-me, devoras-me
azul-branco-verde-azul
muito azul verde verde verde
envolves-me em tuas águas
festejando o encontro ritmado
Dos braços - toques
das pernas - abraços
da pele dos poros - arrepios
verde azul branco azul azul azul
Vens,
recebo-te em mim
mar mar atlântico!
meu mar..verde azul azul azul.

Enigma
Andréa Motta
Quem é esta sereia
que me habita a cada insônia
e com seu canto lamurioso
desvenda meu avesso?
quem é?
Esta mulher oculta
por longas madeixas
que me despe a pele
me deflora sem pânico
em querer ora cúmplice
ora cético
incendeia -me
viscera por viscera.
transformando-me num grande dilúvio
de desejos e medos.
Quem é?