
Resposta ao tempo
Andréa Motta
Silhuetas delineadas a pó de arroz
rasgam o oculto do espelho
não tenho voz
apenas o vento esvoeja no tempo
cerrado pelas minhas mãos vazias.
Nas profundezas do silêncio
o reflexo duma floresta de algas
[avermelhadas]
D'onde emergem sorrateiras verdades
O mar não aniquila nem suga, sustenta.
Não tenho voz, tenho uma força que impele
endorfina da palavra viandante que não disfarça,
oscila, é verdade, feito areia solta pela brisa
[assinalada pelas horas].
Não tenho voz, em resposta ao tempo
há uma força que impele e medra,
exorciza medos como ficção bordada
[na safira dos olhos].
Um comentário:
andrea: teus versos "quase haicais e tankas" são belos e estão para quem quiser ver...tua poesia aflora ao dispor no papel palavras de instantes devorados...parabéns poeta...abraços
Postar um comentário