Naquela casa da esquina ao cair das tardes, reunem-se os intelectuais, as prostitutas e os desocupados do meu bairro. Chegam aos grupos ou desacompanhados.
Aos poucos ao solo solitário d'um violão mistura-se um bulício de vozes. Ao verde das paredes incorpora-se euforia, talvez nostalgia. A tristeza fica do lado de fora.
Naquela casa da esquina os quitutes saborosos juntam-se à poesia e à vadia. O que era happy hour invade a madrugada.
Até que os olhos fiquem embaçados, as vozes embargadas e o violão se cale.
Mas nunca há silêncio naquela casa da esquina, ali moram os pássaros do meu bairro.
Mal o dia amanhece mansamente iniciam nova cantoria. A alegria reside naquela casa da esquina.